O Rapaz dos Versos

Por João Ramalheira

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Ecos De Um Destino

Num jardim de memórias profundas, Onde o tempo se perde em pétalas de saudade, Eu, viajante de sentimentos e sombras, Procuro sentido na amarga realidade. O amor é um rio que flui sem fim, Desagua em corações distintos, E agora vejo o teu brilho noutro jardim, Como um sol que ilumina novos instintos. No espelho do cosmos a tua alegria reflete-se, E eu, espetador de uma estrela distante, Sinto a dor que a felicidade ausente promete, Na encruzilhada de um desejo constante. A vida, um ciclo de eternos recomeços, Que tece destinos com fios de esperança, E em cada passo, ecos de novos excessos Revelam a beleza de uma nova dança. No teatro do ser, a felicidade é uma trama Onde cada ato é uma verdade oculta; E mesmo na dor, o amor não se desarma, Veste-se em melancolia absoluta. Que o universo, com a sua vastidão infinita, Guarde os nossos versos com ternura e cuidado, Pois mesmo na dor o amor ainda nos incita A achar a paz em cada passo dado. E deixo que a maré do destino me siga, Enquanto o meu coração em silêncio se aquieta. Que a felicidade de quem amei não se extinga, E que, no fim, a paz seja a última oferta.
agosto, 2024